O mercado da soja na Bolsa de Chicago testou, nos últimos dias, a primeira semana de preços em queda após nove positivas consecutivas. Assim, depois das fortes quedas, o mercado retoma seu movimento positivo nesta sexta-feira (17) e busca se equilibrar novament. Perto de 7h40 (horário de Brasília), os principais vencimentos da oleaginsa subiam entre 11,75 e 12,50 pontos, com o julho/16 buscando retomar seu patamar dos US$ 11,50 por bushel. O novembro, contrato mais negociado neste momento, era negociado a US$ 11,31. 

As altas podem ser registradas em praticamente todas as commodities agrícolas nesta sexta, já que as mesmas também passaram por uma semana de intensa realização de lucros. A exceção fica pelo café robusta em Londres e pelo ouro, que subiu durante os últimos dias e de forma bastante expressiva. 

Para os grãos, especificamente, analistas internacionais acreditam que "essas baixas já foram longe o suficiente", o que permite uma volta dos fundos à ponta compradora do mercado. E para a soja, a demanda ainda continua atuando como um importante estímulo para os investidores e como pilar de sustentação para os preços. 

Além disso, conta ainda com a força da recuperação que pode ser observada também entre os futuros do farelo e do óleo de soja negociados na Bolsa de Chicago. Ao mesmo tempo, o clima nos Estados Unidos permanece no radar dos traders e a possibilidade de os próximos dias serem de tempo mais quente e seco, apesar das chuvas que chegam ao Corn Belt nesse momento, ajuda a renovar o fôlego das cotações.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Soja fecha o dia perdendo mais de 20 pts em Chicago e pesa sobre formação dos preços no Brasil

Na sessão desta quinta-feira (16), a soja fechou o dia com mais de 20 pontos de baixa nos principais contratos negociados na Bolsa de Chicago. Esta é o quarto pregão consecutivo de perdas para a oleaginosa, levando a posição novembro/16, referência para a nova safra norte-americana, encerrou os negócios valendo US$ 11,19 por bushel. Os futuros do farelo e do óleo de soja também recuaram e perderam mais de 2%. 

Uma conjunção de fatores voltou a pressionar as as cotações nos últimos dias e ajudar a pesar também sobre a formação dos preços no Brasil. Entretanto, as condições do mercado interno ainda tem limitado as baixas, já que permanece a configuração de um apertado quadro de oferta e demanda. O consumo interno é forte, o que permite que os valores pagos no interior do Brasil cheguem a ser mais elevados do que os praticados para exportação. Em Assis/SP, nesta quinta-feira, o preço da soja subiu 4,65% para chegar aos R$ 87,93 por saca. 

Apesar disso, as perdas fortes registradas em Chicago foram implacáveis e acabaram ganhando mais espaço do que a leve alta registrada pelo dólar, que voltou a se aproximar, ao longo do dia, dos R$ 3,50. Com isso, as principais praças do interior do Brasil cederam de 1,18% a 4,65%. Em Rio Grande, a soja disponível perdeu 1,60% e fechou com R$ 92,50 por saca, enquanto em Paranaguá recuou 1,52% para R$ 97,00. No caso da oleaginosa da safra 2016/17 do Brasil, baixas de, respectivamente, 1,41% e 1,10%, para alcançar os R$ 91,20 e os R$ 90,00 por saca.

Bolsa de Chicago

O mercado futuro norte-americano vem passando por consecutivos pregões de liquidação de posição por parte dos fundos, que são motivados, principalmente, pela questão climática nos Estados Unidos, conforme explica o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora, Camilo Motter. 

Por ora, a nova safra norte-americana se desenvolve muito bem e o plantio está, praticamente, concluído e os campos possuem 74% das lavouras em boas ou excelentes condições, além de contarem com um cenário climático favorável para os próximos dias. 

"Tudo está andando bem. Houve muita especualação climática nas últimas semanas, que somadas à quebra da América do Sul e à boa demanda, levou os fundos a comprar muito", diz Motter. "Este será um ano de fortes emoções novamente pelo aperto no quadro de oferta e demanda e pelas possibilidades de inversão do El Nino para um La Niña", completa. 

Atualmente, principalmente a porção norte do Corn Belt é a que recebe chuvas mais adequadas, enquanto se mostram mais escassas nas regiões sul e leste, de acordo com informações apuradas pela Agrinvest Commodities. Ainda de acordo com a consultoria, a previsão da semana passada que indicava menos chuvas em um período de 6 a 10 dias se confirmou, ao passo em que o intervalo de 20 a 24 de junho indicam condições melhores. 

Na outra ponta da formação dos preços, porém, ainda atua a o quadro apertado de oferta e demanda, mantendo-se com um dos mais importantes pilares de sustentação de alguns patamares dos preços em Chicago neste momento. E com menos oferta sulamericana da safra 2015/16, "há uma necessidade de produção cheia, primeiro nos EUA, depois aqui no Sul. Os estoques globais estão minguando desde a safra passada, caem nesta e muito mais na próxima. A demanda sempre foi consistente e gradativamente em alta", diz o analista da Granoeste. 

E o momento é de maior demanda pela soja norte-americana. As exportações de ambos os anos comerciais vêm mostrando números mais fortes nas última semanas em relação ao meses passado, com um movimento maior do consumidor em busca deste produto e com os sojicultores americanos aproveitando os valores mais atrativos para voltar a vender. 

"O produtor americano segurou bastante lá quando os preços estavam (e por longo tempo) na casa dos US$ 9,00. Eles estão num período de entressafra, então a oferta sempre acaba sendo mais limitada", afirma Camilo Motter. Confirmando esse quadro, os números das vendas semanais para exportação divulgados nesta quinta pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) vieram fortes. 

Na semana encerrada no último dia 9 de junho, as vendas norte-americanas da oleaginosa da safra 2015/16 somaram 816,4 mil toneladas, superando em 8% o volume da semana anterior e em 57% a média das últimas quatro semanas. O total ficou ainda bem acima das expectativas do mercado, que esperavam algo entre 400 mil e 600 mil toneladas, e os principais compradores foram destinos não revelados. Da safra 2016/17 foram vendidas 768 mil toneladas, com a China como principal destino. O total fica dentro das projeções dos traders, as quais variavam entre 600 mil e 800 mil toneladas. 

As vendas de farelo de soja dos Estados Unidos e subiram 91% em relação à semana anterior e totalizaram 84,4 mil toneladas. Em relação à média mensal, porém, foi registrado uma baixa de 5%. O principal destino do derivado foi Honduras. No caso da safra 2016/17, as vendas foram ainda mais fortes e somaram 108,5 mil toneladas - maior parte para a Tailândia. No entanto, o volume caiu 69% em relação à semana anterior e 60% se comparado à média das últimas quatro. 

Os EUA venderam ainda, na semana encerrada em 9 de junho, 13,8 mil toneladas de óleo de soja da safra 2015/16, 5% a menos do que na semana anterior e 70% em relação à média do último mês. A Venezuela, neste caso, foi o maior comprador do derivado. 

Além disso, a demanda interna também está forte nos EUA, uma vez que a demanda global por farelo de soja também cresce de forma significativa, principalmente por conta de uma menor oferta do derivado que deverá chegar da Argentina nesta temporada. Dados da NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA) indicaram um esmagamento recorde de soja no país em maio de 4,16 milhões de toneladas. O volume superou as 4,02 milhões de toneladas de abril e as 4,04 milhões de maio de 2015, além da média estimada pelo mercado de 4,08 milhões de toneladas.  

Aversão ao Risco

O movimento de baixa, porém, não se dá somente entre os futuros da soja, mas entre as commodities de uma forma geral, com uma realização de lucros se estendendo além das agrícolas. Os demais grãos recuaem em Chicago, as soft commodities - com exceção do algodão - cedem em nova York, tal qual o petróleo, que perde quase 4% na tarde de hoje. O ouro era a única que ainda mantinha ganhos consideráveis, avançando mais de 2%. 

Segundo explicam analistas internacionais, os investidores trabalham com cautela e maior aversão ao risco frente alguns cenários que devem se confirmar na próxima semana, como  a permanência ou não do Grã-Bretanha na Zona do Euro, e de outros já confirmados, como a manutenção da taxa de juros nos EUA pelo Federal Reserve, reportada nesta quarta (15). 

Apesar disso, principalmente a questão dos juros norte-americanos e as indicações do Fed que duas novas revisões para cima da taxa poderiam acontecer - uma ainda este ano e outra em 2017 - inspiram atenção, além de um dólar em alta no quadro internacional, o que também ajuda a pressionar os preços. 

"O mercado está dando muita importância para a questão da Grã-Bretanha e o dia hoje é de aversão a risco", resumiu o operador da corretora Correparti Guilherme Esquelbek em entrevista à agência de notícias Reuters.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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